Autora:
Elsa Rodrigues, Chemical Lab Manager da SGS Portugal
A contaminação dos solos ameaça a agricultura e a segurança alimentar. Descubra as causas, os impactos no setor agrícola e as soluções para proteger este recurso essencial.
O solo é considerado um dos principais recursos do ecossistema da Terra, essencial para o crescimento de produtos agrícolas e animais, ainda que a sua poluição nem sempre tenha tido a mesma atenção que outras questões associadas à biodiversidade. O cenário mudou na sequência da publicação, em 2018, de um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sobre a contaminação dos solos, que confirma o impacto da contaminação dos solos, reforçando que estamos a falar de um recurso que não é de fácil substituição. De facto, pode demorar até 1000 anos para que se produzam apenas 2 a 3 cm de solo.
O relatório revelou que as principais fontes antropogénicas de poluição do solo, ou seja, de causa humana, são os produtos químicos utilizados ou que resultam, como subprodutos, das atividades industriais, os resíduos domésticos, pecuários e municipais (incluindo águas residuais), agroquímicos, e produtos petrolíferos.
Químicos que podem ser libertados para o ambiente de forma acidental, seja através de derrames de petróleo ou lixiviação de aterros sanitários, ou intencional, através da utilização de fertilizantes e pesticidas, da irrigação com águas residuais não tratadas ou da aplicação de lamas de esgoto no solo.
Quais as consequências da contaminação dos solos na agricultura?
O impacto dos solos contaminados pode sentir-se na produção agrícola e não apenas associado a uma redução da produtividade das culturas, mas também da segurança alimentar, da perda de biodiversidade, perda de força de trabalho, entre outras.
Começa por afetar diretamente o crescimento das plantas, uma vez que os poluentes que se encontram no solo podem interferir com o ciclo natural de nutrientes essenciais, como o azoto, que contribui de forma direta para o crescimento das plantas, com a sua disponibilidade no solo a depender da atividade das bactérias fixadoras de azoto, cuja atividade pode ser inibida pelos contaminantes; o fósforo, outro nutriente essencial que pode ser impactado, causando deficiências nutricionais nas plantas; ou ainda o potássio.
Os poluentes do solo podem também alterar as propriedades físicas e químicas do mesmo, afetando a sua capacidade de reter água e nutrientes, o que pode levar a um crescimento atrofiado, à redução da produtividade e à diminuição da qualidade das culturas.
Preocupante é também o facto de a poluição do solo impactar a cadeia alimentar, uma vez que as plantas cultivadas em solos poluídos podem absorver e acumular poluentes nas suas partes comestíveis, o que as torna perigosas para o consumo humano.
Junta-se ainda aqui a capacidade que a poluição do solo tem de agravar a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas aos impactos das alterações climáticas, já que os solos poluídos são menos resilientes a eventos climáticos extremos, como secas e inundações.
Como combater o problema?
Por ser um desafio a vários níveis, a resposta para a poluição do solo deve ser encarada a partir de várias perspetivas:
- Medidas regulamentares - Cabe aos governos um papel importante neste combate, através da promulgação e da aplicação de regulamentos e normas que enquadrem a eliminação adequada de resíduos e a limpeza dos solos.
- Práticas agrícolas - É importante que se incentivem práticas agrícolas sustentáveis, como a agricultura biológica e a agroecologia, que pode reduzir a dependência de produtos químicos, assim como implementar a rotação de culturas, que ajuda a manter a saúde e a fertilidade do solo.
- Sensibilização do público - Aumentar a informação e conhecimento sobre os efeitos nocivos da poluição do solo ajuda a fomentar o sentido de responsabilidade, o que se pode fazer através da implementação de campanhas educativas sobre a deposição adequada de resíduos, práticas de vida sustentáveis e a importância da conservação do solo.
- Monitorização do solo - A testagem e monitorização dos solos desempenha um papel fundamental na luta contra a poluição, funcionando como uma ferramenta essencial para proteção ambiental e saúde pública. Isto porque permite detetar a presença de contaminantes antes que atinjam níveis críticos, o que pode ser feito através de análises laboratoriais com recurso a equipamento especializado.
Permite ainda rastrear a origem da poluição, identificando o tipo de poluente, o que vai tornar possível a responsabilização de quem polui e a implementação de medidas corretivas direcionadas.
Dados que permitem ainda que se desenvolvam planos de limpeza mais eficazes e que se avalie o impacto das medidas que visam a proteção ambiental.
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