Autor:
Rui Dantas, Business Developer da SGS Portugal
A construção sustentável torna as cidades mais resilientes. Descubra benefícios e o papel dos estudos de biodiversidade no planeamento urbano.
Os efeitos das alterações climáticas, que se intensificaram e são agora evidentes através do aumento das temperaturas médias na Europa, estão a ter um especial impacto nas cidades, que sofrem estes efeitos de forma mais intensa devido ao seu design, infraestruturas densas e elevada densidade populacional.
Em muitos destes espaços, as soluções naturais deram mesmo lugar a construções que contribuem para um agravamento da situação. É neste contexto que se destaca a aposta na construção sustentável, uma abordagem que visa melhorar a resiliência climática e restaurar o património natural, e onde os estudos de biodiversidade assumem um papel fundamental.
Quais as vantagens da construção sustentável?
Está mais do que comprovado o contributo das superfícies artificiais e seladas para o aumento da temperatura nas cidades (podem mesmo fazer com que as temperaturas à superfície aumentem entre 10 a 15 °C nas áreas urbana) e para um maior escoamento superficial das águas, o que torna as cidades especialmente suscetíveis a inundações durante tempestades e chuvas intensas.
A mudança passa pelas soluções de construção sustentável, que vão de jardins de chuva a ruas verdes, passando por parques e elementos aquáticos, como rios, lagos e zonas húmidas, que permitem blindar as cidades dos impactos das alterações climáticas, com vantagens ambientais, económicas e sociais.
- Mitigação de inundações: ao incorporar áreas naturais de retenção de água, a infraestrutura pode ajudar a gerir as águas pluviais e reduzir o risco de inundações.
- Aumento da biodiversidade: estas áreas naturais criam habitats importantes para diversas espécies, promovendo a biodiversidade em ambientes urbanos.
- Melhoria da qualidade do ar: a vegetação filtra os poluentes atmosféricos, melhorando a qualidade do ar para as comunidades, com impacto positivo direto na saúde respiratória.
- Resiliência climática: este tipo de infraestruturas pode ajudar as cidades a adaptarem-se aos impactos das alterações climáticas, como o aumento das chuvas e o aumento das temperaturas. As áreas verdes e azuis reduzem significativamente a temperatura do ar durante os meses mais quentes.
- Espaços recreativos: os parques, telhados verdes e corpos de água oferecem espaços de recreio e relaxamento, melhorando a qualidade de vida dos habitantes das cidades.
- Valor estético: Incorporar a natureza no design urbano aumenta o apelo visual das áreas, tornando-as mais atrativas para residentes e visitantes.
- Benefícios económicos: as soluções baseadas na natureza são também, em média, 50% mais económicas e geram mais 28% de valor acrescentado do que as infraestruturas cinzentas, podendo ainda elevar o valor dos imóveis e atrair o turismo, com um efeito positivo nas economias locais.
Razões que têm levado a um aumento do reconhecimento do valor e dos benefícios proporcionados pelos sistemas naturais no planeamento urbano e nos processos de tomada de decisão, o que passa, cada vez mais, pela aposta nos estudos de biodiversidade.
Quais as funções dos estudos de biodiversidade?
Quando se trata das infraestruturas sustentáveis, os estudos de biodiversidade não desempenham um papel, mas vários.
- São essenciais para compreender como e quando a construção sustentável pode contribuir para a sustentabilidade e habitabilidade urbana.
- Apoiam a integração de objetivos, como a conservação da biodiversidade, de forma a complementar a mitigação e adaptação às alterações climáticas, melhoria da qualidade do ar e saúde humana.
- Garantem a qualidade e a prestação de serviços ecossistémicos, uma vez que, de acordo com os estudos feitos, a qualidade das áreas verdes passa a ser tida em conta nos processos de tomada de decisão.
- Ajudam a criar uma base sólida para a proteção da biodiversidade e a restauração de ecossistemas.
Estes estudos são, de facto, essenciais para operacionalizar a construção sustentável, para garantir que as infraestruturas não apenas apoiam a sustentabilidade urbana, mas promovem ativamente o capital natural e a biodiversidade.
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