Autora:
Adriana Moura, Product Manager da SGS
Apesar de o consumo de têxteis na Europa continuar elevado, o paradigma começa a mudar com o objetivo de mudar o impacto ambiental da indústria têxtil.
Entre 2019 e 2022, o consumo médio de vestuário, calçado e têxteis-lar por pessoa na União Europeia (UE) deu um salto, passando de 17 kg para 19 kg por pessoa. O consumo continua a aumentar, dominado por um modelo que todos consideram insustentável, sobretudo tendo em conta o impacto ambiental da indústria têxtil.
Se é um facto que estamos a falar de um setor muito importante em termos económicos - em 2023, teve um volume de negócios de 170 mil milhões de euros na UE, empregando cerca de 1,3 milhões de pessoas em 197.000 empresas -, não é menos verdade que é um dos que mais recursos consome. Em 2022, de entre 12 categorias de consumo doméstico europeu, como a alimentação, a mobilidade, a habitação, a saúde e a educação, o consumo têxtil ficou, em média, em 5.º lugar em termos de pressões ambientais e climáticas.
O impacto ambiental da indústria têxtil
Os números mostram um cenário que ilustra o peso dos têxteis:
- Em 2022, foram utilizadas 234 milhões de toneladas de matérias-primas (como petróleo, gás natural e fibras de algodão) para produzir todo o vestuário, calçado e têxteis para o lar consumidos pelas famílias da UE. Isto corresponde a 523 kg por pessoa.
- Em 2022, a cadeia de valor dos produtos têxteis consumidos na UE provocou emissões totais de gases com efeito de estufa de 159 milhões de toneladas de CO2. Isto corresponde a 355 kg de CO2e por pessoa por ano, ou o equivalente a 1800 km percorridos por um automóvel a gasolina normal.
- Foram necessários cerca de 5.300 milhões de metros cúbicos (m³) de água para produzir o vestuário, o calçado e os têxteis domésticos adquiridos pelas famílias da UE em 2022, o que corresponde a 12 m³ por pessoa.
- Foram necessárias cerca de 144.000 km² áreas de terra, ou 323 m² por pessoa, para produzir os têxteis consumidos pelas famílias europeias em 2022, o que coloca o consumo de têxteis em 5.º lugar em termos de utilização de terra.
- Em 2022, os Estados-Membros da UE geraram cerca de 6,94 milhões de toneladas de resíduos têxteis, o que corresponde a 16 kg por pessoa.
- 85% de todos os resíduos têxteis provenientes das famílias não foram recolhidos separadamente e acabaram como resíduos domésticos mistos, dos quais não podem ser reutilizados ou reciclados.
- Estima-se que entre 4% e 9% de todos os produtos têxteis colocados no mercado europeu sejam destruídos antes da sua utilização.
Tendências de consumo e comportamentos emergentes
O aumento do consumo per capita continua a anular muitas das melhorias alcançadas na produção sustentável. A chamada fast fashion caracteriza-se por ciclos de utilização cada vez mais curtos, compras por impulso e baixas taxas de reparação, um modelo que contribui anualmente, como já se viu acima, para milhões de toneladas de resíduos têxteis.
Ainda assim, contra-tendências expressivas têm vindo a ganhar terreno. O vestuário em segunda mão afirma-se como uma alternativa consistente e em franco crescimento: o mercado europeu de roupa em segunda mão tem vindo a crescer cerca de 7,70% ao ano, projetando-se que ultrapasse os 36,3 mil milhões de dólares até 2034.
Esta dinâmica reflete uma mudança profunda nas mentalidades dos consumidores, que reconhecem cada vez mais o vestuário em segunda mão como uma escolha válida, ética e até distintiva.
Segundo um estudo da Circular Fashion Federation, em parceria com a KPMG, o mercado europeu de revenda de moda deverá crescer dos 15,9 mil milhões de euros em 2024 para 26 mil milhões de euros em 2030, gerando 75.000 novos postos de trabalho. Um crescimento impulsionado, em parte, por plataformas digitais de revenda, que vieram democratizar o acesso à moda em segunda mão, tornando-a acessível a um público muito mais alargado do que o das tradicionais lojas de segunda mão.
A par das plataformas de revenda, emergem também empresas de aluguer de roupa e serviços de subscrição, que permitem aos consumidores aceder a peças para ocasiões específicas, como festas ou eventos formais, sem necessidade de compra. No conjunto, todos os segmentos da moda circular — revenda, reparação, aluguer e reciclagem representavam já um mercado de 20 mil milhões de euros na Europa em 2024, com perspetivas de atingir os 31,3 mil milhões de euros em 2030.
O consumismo com consciência ambiental está, assim, a redesenhar o setor.
O quadro político da UE para os têxteis sustentáveis e circulares
A reforçar esta tendência tem estado a Estratégia da UE para Têxteis Sustentáveis e Circulares, com os conceitos de duráveis, reparáveis, recicláveis também adaptados a este setor, com conteúdo amplamente reciclado, redução da sobreprodução e da destruição de produtos não vendidos.
E é aqui também que entra o Passaporte Digital do Produto que, para os consumidores, permite escolhas informadas (por exemplo, composição da fibra, cuidados, vida útil esperada), e fornece dados precisos sobre a composição, facilitando a reparação, a triagem e a reciclagem fibra a fibra. Para as marcas, isto significa a possibilidade de aumentar a rastreabilidade e a responsabilidade em toda a cadeia de valor.
O paradigma parece estar a mudar. Os têxteis deixam de ser bens opacos e descartáveis, para se tornarem ativos ricos em dados que podem circular durante mais tempo e de forma mais inteligente na economia.
Um cenário onde se espera também uma alteração do comportamento do consumidor: passa a comprar menos artigos, mas de melhor qualidade, artigos que têm uma vida útil mais longa.
Sobre a SGS
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