Autora:
Adriana Moura, Product Manager da SGS
Descubra como o Digital Product Passport vai impulsionar a indústria têxtil sustentável, promovendo transparência, rastreabilidade e circularidade na União Europeia.
Há números que falam por si. Na União Europeia, cada cidadão descarta em média 11,3 kg de têxteis por ano, de acordo com a EU Strategy for Sustainable and Circular Textiles, e apenas 22% dos têxteis recolhidos são reutilizados ou reciclados, segundo a European Environment Agency. Estima-se ainda que a introdução do Digital Product Passport (Passaporte Digital de Produto) possa contribuir para uma redução entre 15% e 30% dos resíduos têxteis até 2030, graças à melhoria da rastreabilidade e da reciclagem. Dados que evidenciam a urgência de uma transformação estrutural na indústria têxtil sustentável, pressionada por desafios ambientais, exigências regulatórias mais rigorosas e consumidores cada vez mais conscientes.
O que é o Digital Product Passport (Passaporte Digital de Produto)?
Trata-se de uma ferramenta criada pela União Europeia para garantir transparência, rastreabilidade e circularidade ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos, entre os quais os têxteis.
É, no fundo, uma identidade digital única atribuída a cada produto. Através de um QR code ou de uma tecnologia equivalente, os consumidores, as empresas e as autoridades passam a poder aceder a informação detalhada sobre qualquer peça de têxtil. A composição, origem das fibras, processos de fabrico, pegada ambiental, instruções de reparação e reciclagem, entre outros dados, passam a estar disponíveis.
O que motivou a sua criação no âmbito da indústria têxtil sustentável?
Esta iniciativa faz parte do Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR), aprovado em 2024, que estabelece novos requisitos para tornar os produtos vendidos na Europa mais duráveis, reutilizáveis e recicláveis.
A implementação do passaporte digital nos têxteis surge como a resposta a desafios bem conhecidos, associados a um crescimento da produção global de vestuário, que duplicou desde o ano 2000, ao mesmo tempo que a utilização média de cada peça diminuiu drasticamente.
A falta de informação sobre materiais e processos torna a reciclagem extremamente difícil, e a complexidade das cadeias de valor impede uma verdadeira rastreabilidade.
Porque é tão difícil garantir rastreabilidade no setor têxtil?
De facto, a cadeia de abastecimento do vestuário têxtil é uma cadeia de produção complexa, com múltiplos intervenientes:
- Nível 4 - os fabricantes que produzem matérias-primas: por exemplo, as explorações agrícolas cultivam fibras, como o algodão ou a lã; as indústrias petroquímicas produzem fibras sintéticas ou fibras recicladas, etc.
- Nível 3 - as fábricas que processam as matérias-primas.
- Nível 2 - fábricas que transformam o fio em tecido, através de tecelagem ou malharia.
- Nível 1 - fabricantes responsáveis por cortar, costurar e confecionar as peças de vestuário.
- Nível 0 - marcas ou retalhistas que encomendam a produção e comercializam o produto final.
Ao exigir dados padronizados e verificáveis, o passaporte digital permite que marcas e fornecedores comuniquem de forma transparente, que quem faz a reciclagem possa identificar corretamente os materiais, permitindo ainda que os consumidores façam escolhas mais informadas.
Quando é que se prevê a sua entrada em vigor para os têxteis?
Embora a obrigatoriedade do Passaporte Digital de Produto para têxteis esteja prevista para começar em 2027, o setor já se encontra em fase de preparação. Projetos‑piloto, plataformas tecnológicas e novas metodologias de recolha de dados estão a ser desenvolvidos para garantir que a transição seja viável, sobretudo para pequenas e médias empresas.
A mudança será exigente, mas o potencial de impacto é significativo: maior circularidade, redução de resíduos, cadeias de valor mais éticas e um mercado mais transparente.
Sobre a SGS
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