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Protetores solares: mitos e verdades

Blog SGS PortugalCosméticos & Higiene04 Sep 2022

Autora:
Rita Costa
Cosmetics & Hygiene Coordinator da SGS Portugal

Protetores solares, como outros produtos cosméticos, exigem particular atenção e esclarecimento dos consumidores, que compreensivelmente procuram produtos com maiores garantias de segurança e qualidade.

Face à natureza destes produtos, aos potenciais impactos sobre a saúde dos consumidores e à sua utilização alargada generalizada pela população, nomeadamente em países como Portugal, os protetores solares são alvo de legislação comunitária própria, sobretudo quanto ao seu fator de proteção solar (FPS) e às exigências da sua rotulagem, mas também de controlos e avaliações laboratoriais por órgãos nacionais, como o Infarmed.

Neste artigo, procurámos sintetizar algumas das principais questões, dos mitos e verdades, sobre protetores solares, que poderão ser do interesse dos seus consumidores finais, mas também servir como recurso a profissionais do setor:

Pode um protetor solar prometer total proteção contra os riscos da radiação ultravioleta (UV)?

Não. Nenhum protetor solar pode reivindicar total proteção, já que nenhum protetor consegue filtrar totalmente a radiação UV, mesmo os que são capazes de proteger contra radiação UVA e UVB. Um protetor solar deve obrigatoriamente especificar o nível de proteção oferecido, apresentado sob a forma de FPS, ou Fator de Proteção Solar. Recorde-se, a este respeito, que o nível mais alto de proteção é o fator 50+, com a designação “muito alto”.

O que é o Fator de Proteção Solar (FPS) e como é calculado?

O Fator de Proteção Solar é calculado a partir da relação entre a dose de UVB considerada suficiente para causar lesões na pele (eritema, o vulgarmente designado “escaldão”), quando protegida por protetor, e a dose de radiação UVB suficiente para causar lesão, sem a aplicação do protetor.

Não sendo legalmente obrigatória, a inclusão de proteção contra raios UVA é atualmente altamente recomendada, dada a especial nocividade desta radiação.

O que significa o número do FPS?

A eficácia de um protetor solar é apresentada pelo FPS, numa escala que vai de 6 a 50+. Este número significa que o protetor oferece uma proteção X vezes superior àquela que a própria pele é capaz de oferecer por si própria — considera-se, habitualmente, que a pele pode ser exposta ao sol entre os 5 e os 30 minutos sem efeitos nefastos para a saúde humana.

Exemplo simplificado: 5 minutos de exposição desprotegida X Fator de Proteção Solar 30 = 150 minutos de proteção com um protetor solar.

Apesar desta fórmula geral, o tipo de pele e o próprio tipo de exposição ao sol podem influenciar grandemente a proteção oferecida e o tipo de protetor mais indicado em cada caso.

“A radiação UVA não é perigosa porque não causa sintomas?”

Falso. Apesar de não causarem sintomas dolorosos, os UVA penetram em profundidade na pele, podendo danificar células, acelerar o seu envelhecimento, e mesmo afetar o ADN no longo prazo, o que pode ser um fator promotor do cancro da pele.

“O protetor solar impede a absorção de vitamina D”

Não. Sendo verdade que a radiação UVB é o principal responsável pela síntese da vitamina D no organismo humano, e que curtos períodos de exposição solar (inferiores a 15 minutos) sem protetor poderão até ter um saldo positivo para a saúde através da obtenção desta vitamina, importa salientar que a proteção solar não impede a produção de vitamina D enquanto protege das agressões UV, já que existe sempre uma dose de radiação suficiente a atingir a pele.

Convém, ainda assim, não esquecer que existem outras formas complementares — embora incomparáveis com as quantidades obtida a partir do sol — de obter vitamina D, nomeadamente através do consumo de produtos alimentares como ovos, leite e seus derivados.

“Bebés podem usar protetores adequados à idade.”

Bebés com menos de 6 meses de idade devem simplesmente evitar a exposição solar direta. Dada a especial sensibilidade da sua pele, os protetores solares não devem ser usados em bebés.

A partir dos 6 meses, recomenda-se a utilização de protetores solares com FPS entre 15 e 30, e sempre que possível complementado com o uso de chapéus de abas largas, calças e camisolas de manga comprida.

“Os protetores solares são todos iguais.”

Também não. De forma geral, podem separar-se os protetores solares entre os de ação física (de origem mineral) ou química. Os protetores solares físicos criam uma barreira à superfície da pele, protegendo a pele ao refletir a radiação ao invés da absorver. O óxido de zinco e o dióxido de titânio são os seus principais compostos. Por não serem absorvidos pela pele, estes protetores são especialmente recomendados para crianças, e normalmente não causam sensibilidade ou irritações cutâneas.

Os protetores químicos são absorvidos pela pele, tornando-se cosmeticamente mais agradáveis ao serem tendencialmente invisíveis, com a sua atuação a dar-se não através do bloqueio mas ao nível da decomposição da radiação, transformando a sua energia em calor e impedindo a sua ação nefasta sobre as células da pele. Pelo facto de serem absorvidos pela pele, são porém mais frequentemente causadores de alergias ou irritações.

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