
As empresas agroindustriais têm investido, ao longo dos anos, em programas de valor compartilhado e em compromissos relacionados à sustentabilidade, aos direitos humanos, à conservação das florestas e ao desenvolvimento das comunidades vinculadas às suas cadeias de suprimentos.
No entanto, um dos principais desafios atuais é demonstrar que esses compromissos são respaldados por evidências objetivas, rastreáveis e verificáveis.
Nas cadeias agrícolas de origem, as informações geralmente estão distribuídas entre territórios, produtores, parceiros públicos e privados e diferentes sistemas de reporte. Quando um comprador, uma instituição financeira ou uma autoridade solicita evidências, essa dispersão pode dificultar uma resposta ágil e com qualidade suficiente para uma auditoria.
A pressão aumenta com a evolução das exigências regulatórias e comerciais. O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) inclui o cacau entre as sete commodities abrangidas. Para operadores de médio e grande porte, sua aplicação começa em 30 de dezembro de 2026, enquanto, para micro e pequenos operadores, será em 30 de junho de 2027.
Embora a obrigação formal recaia sobre o operador europeu, os requisitos de informação são transferidos contratualmente aos fornecedores na origem, incluindo a geolocalização das propriedades, a legalidade no país de produção e a rastreabilidade.
Dos compromissos às evidências verificáveis
Segundo Andrés Otalora, Chefe de Sustentabilidade EHS da SGS Colômbia, o desafio para muitas organizações é transformar seus compromissos e programas de sustentabilidade em informações que possam ser demonstradas de forma consistente perante terceiros.
Uma auditoria independente permite estabelecer uma estrutura de avaliação adaptada a cada organização, integrando a legislação nacional, referências internacionais como o EUDR, os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGP) e as diretrizes da OCDE, juntamente com os requisitos e indicadores definidos pela própria empresa.
Essa abordagem permite avaliar iniciativas de sustentabilidade com critérios claros, evidências objetivas e regras de avaliação previamente estabelecidas.
O valor da independência e da rastreabilidade
A independência é fundamental para que os resultados de uma avaliação possam ser utilizados perante compradores, financiadores e outras partes interessadas.
Nesse modelo, a SGS não desenvolve, implementa nem gerencia o programa que posteriormente avalia. Essa separação permite oferecer uma avaliação objetiva e gerar conclusões com maior valor probatório.
Por meio de uma amostragem definida, critérios homogêneos e evidências referenciadas, os resultados podem ser comparados entre regiões, projetos e iniciativas.
A rastreabilidade também permite organizar as informações de forma que possam ser reutilizadas diante de diferentes solicitações, reduzindo o esforço de reconstruir as evidências cada vez que um cliente apresenta um novo questionário de sustentabilidade.

Preparar-se para as novas exigências das cadeias de suprimentos
O EUDR não é o único fator que está transformando as expectativas em relação às cadeias agrícolas.
Após o Omnibus I, a CSDDD (Diretiva UE 2026/470) mantém a obrigação substantiva de devida diligência em direitos humanos e meio ambiente sobre a cadeia de atividades, embora com novos limites de aplicação e um adiamento de sua implementação até 2029.
Grandes compradores europeus já estão transferindo parte dessas exigências aos seus fornecedores por meio de cláusulas contratuais e questionários. Por sua vez, os clientes europeus precisam de informações sobre a cadeia de valor que possam ser utilizadas em seus processos de reporte e asseguração no âmbito da CSRD/ESRS.
Para as empresas de origem, fortalecer desde já a qualidade e a rastreabilidade de seus dados permite antecipar essas demandas e reduzir os riscos associados ao acesso aos mercados.
Da auditoria à tomada de decisões
Uma avaliação independente também pode gerar valor além da conformidade.
Uma linha de base de maturidade permite identificar lacunas, comparar o desempenho de diferentes componentes e priorizar oportunidades de melhoria. Essas informações podem servir como base para estruturar iniciativas sob uma abordagem de Retorno Social sobre o Investimento (SROI), definindo escopo, resultados, indicadores, fontes de informação e premissas.
Dessa forma, os programas sociais podem ser analisados sob uma perspectiva mais estratégica, facilitando a priorização de iniciativas e a tomada de decisões sobre futuros investimentos.
Entre os principais entregáveis desse tipo de avaliação estão uma linha de base independente, um registro de constatações, evidências referenciadas e reutilizáveis, recomendações priorizadas e um guia para a priorização SROI.
Capacidade local e alcance global
As cadeias agrícolas de origem exigem soluções que combinem conhecimento técnico com experiência em campo.
As equipes da SGS contam com conhecimento local e domínio do idioma, além de protocolos que permitem adaptar as avaliações às condições de segurança e ordem pública de determinadas regiões. Quando necessário, as atividades podem ser reprogramadas ou realizadas por meio de modalidades híbridas.
Essa capacidade é complementada pela rede global da SGS, que permite integrar serviços relacionados à verificação EUDR, pegada de carbono, certificação de produtos e asseguração de informações de sustentabilidade.
SGS como parceira para fortalecer as evidências de sustentabilidade
As novas exigências do mercado estão levando as empresas agroindustriais a uma nova etapa: já não basta comunicar compromissos de sustentabilidade; é necessário demonstrar como eles são gerenciados e quais evidências respaldam seus avanços.
Por meio da auditoria independente, a SGS ajuda a transformar informações dispersas em evidências estruturadas, rastreáveis e verificáveis, fortalecendo a confiança de compradores, financiadores e outras partes interessadas.
Com experiência técnica, conhecimento local e uma rede global de especialistas, a SGS apoia as organizações no processo de transformar seus programas de sustentabilidade em informações confiáveis para a tomada de decisões e para atender às novas demandas das cadeias agrícolas de origem.

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